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| Caminhos para a felicidade genuína |
Nesta palestra, proferida no auditório da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ, Alan Wallace apresenta uma visão de felicidade e saúde mental calcada na filosofia budista e em conceitos da antiga Grécia, e oferece um caminho para a renovação dos conceitos da ciência e cultura ocidentais modernos.
Longe de aceitar que a ausência de doenças mentais seja o máximo de bem estar a que se pode aspirar, Alan Wallace aponta o caminho, hoje esquecido, de buscar um estado de verdadeira felicidade e conferir um sentido a nossas vidas. Nos últimos anos, um crescente número de psicólogos começou a questionar: "Como podemos entender a saúde mental em termos positivos, e não simplesmente como a ausência de doenças mentais incapacitantes?". Este questionamento deu origem a um novo campo de psicologia positiva, que tenta atingir um melhor entendimento da saúde mental e desenvolver métodos para aumentar o bem-estar psicológico além dos níveis que definem a normalidade. Alguns pesquisadores neste campo reconhecem a importância da ética nessa questão, o que abre uma rica oportunidade de colaboração entre cientistas e budistas para desenvolver uma conhecimento empírico da ética, baseado no entendimento dos tipos de comportamento de corpo, fala e mente que são propícios à verdadeira saúde mental e que tipos são prejudiciais. Nossa comunidade global se encontra acossada por crises sem precedentes nos campos ambiental, econômico e social. A fonte de muitos destes problemas pode ser encontrada nas três aflições mentais do apego, raiva e delusão, consideradas como os venenos mentais pelos budistas. Ainda que seja de importância vital buscar soluções para estes problemas por meio de avanços científicos e tecnológicos, as causas fundamentais no interior da mente humana também devem ser consideradas.
A ciência tem contribuído enormemente para nosso conhecimento do universo e para nosso bem-estar material, enquanto o cultivo da virtude e felicidade genuína foram deixados para o âmbito da religião. O Budismo, pelo seu lado, tem seu enfoque primário no tipo de conhecimento que contribui para o cultivo da virtude e felicidade genuínas. A colaboração entre os enfoques científicos e budistas para a solução dos problemas do mundo pode ser vital para a sobrevivência e desenvolvimento humanos. Enquanto as sociedades adotarem visões materialistas da realidade e da existência humana, elas estão fadadas a buscar a felicidade e segurança através da exploração implacável dos recursos naturais. Com o crescimento da população humana e o rápido esgotamento dos recursos naturais, essa fórmula conduziu a conflitos e desastres globais. É evidente que a comunidade global precisa adotar um entendimento mais completo e profundo das raízes do sofrimento e da felicidade genuína para que a sociedade e os indivíduos possam apreender a se satisfazer com um grau mais moderado de prosperidade material, enquanto buscam felicidade cada vez maior empregando os recursos interiores, de natureza espiritual, em vez de incrementar cada vez mais o consumo de recursos externos, materiais. Pela interconexão do mundo moderno, é igualmente necessário que nos afastemos da visão egocêntrica da realidade para adotar um sentido de responsabilidade universal, conforme Sua Santidade o Dalai Lama vem defendendo por muitos anos. Esta é uma excelente introdução ao pensamento de Alan Wallace, que recentemente esteve pela segunda vez no Brasil, fazendo uma série de palestras que foram assistidas com grande entusiasmo e por budistas e acadêmicos. Já existem dois livros deste excepcional pensador publicados em português. |



