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| Motivação correta e Prajna Paramitta |
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Nesta série de 4 DVDs, com duração total de 7 horas, o Lama Pama Samten percorre os ensinamentos budistas e nos apresenta a prática do Prajna Paramitta. É apresentada em dois DVDs duplos, sendo o primeiro a palestra dada em Niterói e o segundo à palestra dada no Rio de Janeiro. O budismo começa pela motivação correta, motivação para atingir a liberação e encontrar um porto seguro. Com a motivação correta não se causa mais sofrimento aos outros. A motivação correta é tema dos primeiros dois passos do nobre caminho óctuplo. A próxima etapa é trazer benefício aos seres, tema do terceiro ao quinto passos. Chega-se então à meditação, que é o sexto passo do caminho, o repouso sem construções, onde descobrimos que somos aquele que constrói nossas múltiplas identidades e as próprias ilusões que nos enganam. No sétimo e oitavo passos, vamos introduzir no espaço conquistado com a meditação a sabedoria da vacuidade, o Prajna Paramitta. Com a prática do Prajna Paramitta podemos mudar radicalmente nossas relações, eliminando as negatividades. O Prajna Paramitta surge como um recurso dentro da meditação. A meditação, para a maior parte das pessoas, é silêncio. Está certo, meditação é silêncio. Nós praticamos silêncio. Depois a gente termina a sessão, põe o sapato, arruma a bolsa e vamos trabalhar. Alguma coisa mudou.
Porém, ainda que pratiquemos isso, voltando ao mundo nós percebemos que houve uma mudança, mas existe uma fragilidade. No dia seguinte, nós voltamos a meditar. Nossa meditação é mais poderosa. Quando levantamos dali e vamos para o mundo, de novo alguma coisa de positivo acontece e coisas negativas também acontecem. Como é que eu me livro dessa coisa negativa? Aonde está o furo? Nós voltamos, sentamos de novo, nos equilibramos. É uma meditação poderosa, estamos felizes. Depois levantamos, pomos o sapato, pegamos a bolsa e vamos para o mundo. A gente então localiza: "Eu sei! É aquela pessoa. É aquele lugar". Nós começamos a localizar, a apontar. Mas como já sabemos que isso não é a pessoa nem o lugar a gente diz: "Eu tenho uma estrutura interna que sacode quando tal coisa acontece. Como é que eu faço?". O obstáculo seria verdadeiro se a gente simplesmente dissesse: "Agora eu localizei qual é o problema, é tal pessoa, tal sensação, tal percepção, tal estrutura que eu tenho dentro e tal identidade que eu sou". Isso então impossibilita o caminho espiritual, porque sendo o que eu sou, tendo a estrutura que eu tenho dentro, minha percepção das coisas é assim e essas sensações são naturais. Aquilo que eu estou vendo é assim também, então não tem jeito. Não tem como furar isso, não tem como atravessar.
Nós temos cinco bases que nos atrapalham nesse caminho. Porquê? Porque são cinco formas de solidez que parecem completamente verdadeiras e que justificam porque então não vai dar para passar. Porque aquele ser que está dentro de nossa casa é assim. Tecnicamente, ele é assim. Quando eu olho para ele tenho a sensação de que ele é assim. Dentro de mim, o que eu tenho? Tenho estruturas mentais, estruturas emocionais, mas é isso que eu sou. E aí nós olhamos, por que essas estruturas são assim? Elas são assim porque eu sou assim, isso sou eu. Nós olhamos desse modo e aí tudo está justificado. Ao olhar desse modo chego a conclusão de que não há como ultrapassar esse obstáculo. Esses aspectos intransponíveis são o objeto do Prajna Paramitta. Aquilo que é intransponível, que não dá para atravessar, é aquilo que o Prajna Paramitta atravessa. Porque através do Prajna Paramitta nós vamos compreender que aquilo que consideramos sólido diante de nós não é sólido, nem é separado de nós. As sensações que nós temos não brotam de fora, elas são ativadas. As percepções são um processo ativo, não um processo passivo onde eu recebo coisas. A percepção depende de uma estrutura que eu estou operando. Se eu não perceber essa estrutura, então eu não entendo o que seja percepção. Percepção tem um nível de construção junto. As estruturas internas que nós temos, todas elas são todas construídas e móveis. Nossas identidades são também construídas e móveis, e portanto passíveis de serem conectadas ou desconectadas. No budismo, nós vamos entender isso. Para entender melhor esse aspecto, vamos supor que a gente tenha um quadro aqui na parede com um Buda sentado. Isso é fácil para nós. Temos um quadro na parede, uma flor de lótus, um lago, o Buda sentado, as mãos em posição de meditação, o sol, a lua. Está ali o Buda sentado. Quando olhamos esse Buda sentado, vamos ver: esse Buda é feito de pano e tinta. Se dissermos que aquilo é feito de pano e tinta e desmembrarmos os fios, tirarmos todos os fios, desfizermos totalmente a imagem, quando pegarmos um fio não vamos dizer que ele é um pedaço do Buda. A sensação que vamos ter é que o fio é um pedaço de tecido pintado. Mas aí vamos supor que a gente consiga fazer como se faz no Windows, a gente clica no Undo, no Retornar. A gente clica e apareceu ali o Buda de novo, todos os fios no lugar, tudo certinho. Aí vemos o Buda novamente. Então a gente junta muitos fios que não são o Buda, e o Buda surge. Como ele surge? Se eu tiver cinco mil fios, e nenhum é o Buda, como é que eu junto cinco mil fios e aparece o Buda? Se a gente pega, por exemplo, uma escultura do Buda e corta com uma serra em pedacinhos. Nenhum daqueles pedacinhos é o Buda. Então eu monto aquele quebra-cabeças de novo, vou montando aquilo tudo até que... apareceu! Apareceu o Buda de novo. Como é que eu posso montar um Buda com pedaços que não são o Buda? Digo isso apenas para a gente não confundir o substrato com a forma. Eu posso montar aquele substrato que é o Buda, mas o Buda mesmo é um fenômeno mais sutil. É um fenômeno que nós chamamos de forma. Nâo há o Buda na imagem, mas eu vejo o Buda. Eu não só vejo o Buda como ele me produz uma transformação interna. Produz um sentimento de respeito.
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