Home Khenpo Karthar Rinpoche As Duas Realidades e os Quatro Dharmas de Gampopa
As Duas Realidades e os Quatro Dharmas de Gampopa PDF Imprimir E-mail
Capa do DVD As Duas Realidades, com Khenpo Karthar Rinpoche
2 DVDs - 2h 55min.
R$ 50,00

Em uma vida anterior, Lhaje Gampopa foi um bodisatva chamado Metog Dagtse. Nesta encarnação ele encontrou o Senhor Buda, e fez para ele a promessa de disseminar o Dharma pelo mundo. Cumpriu esta promessa quando, no ano de 1079, nasceu como Lhaje Gampopa e, em uma vida extraordinária, fundou a linhagem Kagyu.

Gampopa compôs uma prece profunda e valiosa, que se tornou conhecida como os "Quatro Dharmas de Gampopa". Esta prece é:

 

Conceda suas bênçãos para que minha mente se torne una com o Dharma.
Conceda suas bênçãos para que o Dharma possa seguir o caminho.
Conceda suas bênçãos para que o Dharma possa esclarecer a confusão.
Conceda suas bênçãos para que a confusão possa se transformar em sabedoria.

A primeira linha desta prece sagrada, que é o primeiro Dharma de Gampopa diz Conceda suas bênçãos para que minha mente se torne una com o Dharma. A mente se torna unida com o Dharma quando se entra no caminho espiritual, renunciando e afastando-se das aspirações mundanas.

O Budismo fala de três tipos de praticantes, aqueles com capacidades menores, medianas ou superiores. Estes tipos dizem respeito à capacidade do discípulo de se desenvolver e amadurecer espiritualmente. É necessário para os indivíduos de capacidades menores aprender sobre a insatisfatoriedade dio samsara e entender como ele realmente funciona para que possam renunciar a ele.

Eles necessitam praticar as quatro contemplações  preliminares para realmente conhecer a verdadeira natureza do samsara e assim voltarem suas mentes para o Dharma. Reconhecidas por todas as tradições budistas e lembradas pelos discípulos no início de cada sessão de meditação, as quatro práticas fundamentais são: contemplar a preciosa existência humana, contemplar a impermanência, contemplar o karma, contemplar a insatisfatoriedade da existência condicionada. Se praticarem adequadamente estas contemplações, os discípulos saberão em que implica o samsara, renunciarão a ele e voltarão suas mentes para o Dharma.

veja um trecho do vídeo

O segundo Dharma de Gampopa é: Conceda suas bênçãos para que o Dharma possa seguir o caminho. Entrar no caminho do Dharma acontece quando se busca e se toma refúgio e se desenvolve a bodichita, a "mente do despertar".

Tomar refúgio é o portal pelo qual passam os estudantes das tradições budistas quando aspiram a praticar o Dharma. Existem quatro níveis na tomada de refúgio: exterior, interior, relativo e absolutlo. O refúgio exterior é tomar refúgio nas Três Jóias - o Buda que é o professor, o Dharma que são os ensinamentos do Buda, e a Sangha que é a comunidade de praticantes. Tendo tomado o refúgio exterior, gradualmente se descobre o refúgio interior, que é a verdadeira natureza da mente, a natureza de Buda. Os discípulos Vajrayana, além destes refúgios, tomam também refúgio nas três raízes - o Lama que é a fonte de todas as bênçãos, os yidams que são a fonte de todas as realizações extraordinárias e os protetores que são a fonte das atividades iluminadas.

Uma característica especial do Vajrayana é ver o Lama como a encorporação das Três Jóais e das Três Raízes. Tomar refúgio é a base do caminho. O texto "A tocha que ilumina o caminho" afirma que nenhum conjunto de votos que se possa tomar pode ser superior à tomada de refúgio, que é a base para toda a prática ao longo do caminho. Tomar refúgio qualifica o praticante para seguir o caminho mahayana, o theg-pa-chen-po’i-lam.

Gampopa escreveu: "Seguir o caminho significa desenvolver amor e compaixão por todos os seres viventes, que é a bodichita relativa. Como todos os fenômenos surgem em dependência, eles são desprovidos de existência absoluta e são como aparições nos sonhos. Este é o significado da bodichita absoluta".

É necessário desenvolver e cultivar a bodichita relativa e é necessário se esforçar pra atingira a bodichita absoluta. Tendo entrado no Dharma, o caminho é baseado em dar nascimento e desenvolver a bodichita, byang-chub-kyi-sems. Ela é a atitude, a decisão que se toma de existir para beneficar todos os seres. Não importa se as atividades virtuosas que se desenvolve são grandiosas ou modestas, a atitude é que é decisiva porque é o meio de se aproximar cada vez mais do objetivo, que é atingir a iluminação. Este é o objetivo dse seguir o caminho.

A terceira linha da prece sagrada, o terceiro Dharma de Gampopa é: Conceda suas bênçãos para que o Dharma possa esclarecer a confusão. Tendo entrado no caminho do Dharma e estando no caminho, o terceiro Dharma é a prece fervorosa para que a confusão seja esclarecida.

O Budismo frequentemente fala sobre base, caminho e fruição. Base se refere às quatro contemplações para voltar a mente para longe do samsara e prar se renunciar a ele. Caminho se refere às práticas para desenvolver amor e compaixão por todos os seres viventes. A fruição vem como resultado da visão correta, de que tratou Gampopa na terceira e quarta linha da prece. Os praticantes precisam manter a visão correta se esperam alcançar o fim do caminho e atingir a fruição; ele precisam reconhecer suas visões errôneas para serem capazes de trasnformá-las. O termo tibetano para visões errôneas é "khrul", também traduzido como engano, erro, confusão, ilusão e delusão.

Temos muitas delusões e precisamos saber como superá-las para realizar a verdadeira natureza intrínseca de nossas mentes e nos unirmos completamente com ela. Sendo assim, Gampopa descreveu as práticas do caminho em suas obras e nos ensina que precisamos renunciar ao samsara e desenvolver a mente do despertar se queremos superar nossas delusões e confusão. Ele ensinou que se contemplamos bem a impermanência vamos renunciar ao apego aos assuntos mundanos. Se contemplamos bem o karma, então vamos abandonar as visões errôneas. O Senhor Buda explicou detalhadamente tanto nos sutras quanto nos tantras que a visão correta é conhecer o karma e que se sabe como as coisas funcionam se entendemos as causas e efeitos. O Buda ensinou que esta é a visão correta.

Existem escolas filosóficas que negam a lei do karma. Seus adeptos acreditam que não existem vidas passadas ou futuras e que depois da morte a mente se dissolve no espaço e o corpo se transforma em pó, assim como surgem e desaparecem os cogumelos. Os Budistas entendem que achar que a vida inteligente opera como um cogumelo desaparecendo tão aleatoriamente como surgiu é errado e enganador. Sabem que até os cogumelos surgem na dependencia de causas e condições, como esporos, terra fértil, umidade e calor. O Budismo ensina que pensar que as coisas surgem por si próprias ou a partir do nada é uma visão errada. Todas as aparências só surgem em dependência de causas e condições. Assim sendo, o Budismo enfatiza a importância de saber que todos os fenômenos e experiências surgem em sequencia ordenada. Conhecer a infalível lei do karma motiva um discípulo de se abster de ações não virtuosas para não experimentar suas dolorosas consequencias e a se dedicar a ações sábias para experimentar resultados benéficos.

A quarta linha da prece, o Quarto Dharma de Gampopa é: Conceda suas bênçãos para que a confusão possa se transformar em sabedoria. Quando se atinge a realização de que nenhum fenômeno surge, permanece e cessa, então se atingiu o nível último de realização. Quando se realiza o Dharmakaya não nascido e não criado, então se supera a confusão e as delusões vão se tranformar na sabedoria primordial. Não se pode chegar lá, porque o ato de chegar ainda implioca em dúvidas e incerteza sobre se vai se chegar. Sendo assim a expressão "se transformar" foi muito bem escolhida.