Home Lama Padma Samten Budismo e auto-organização social
Budismo e auto-organização social PDF Imprimir E-mail
Capa DVD Budismo e auto-organização social
DVD - 2h 35min.
R$ 35,00

Neste DVD, com 2h 35min., o Lama Santem fala sobre o budismo como inspiração para novas formas de auto- organização social e narra as experiências realizadas e o trabalho desenvolvido com uma comunidade carente próxima ao Caminho do Meio, em Viamão.

O tema da auto-organização social parece um tema estranho ao Budismo, da mesma forma que os outros temas que temos examinado parecem também estranhos.

Na época do Buda não faziam sentido uma série de coisas com que a lidamos hoje.

Naquele tempo não havia, por exemplo,  a medicina como nós conhecemos, não havia a economia, não haviam as escolas leigas como conhecemos e também não existia esse tipo de organização social que nós vivemos, a sociedade globalizada.

Do mesmo modo, não havia a ciência. Então, os budistas de hoje são desafiados a encontrar uma forma de lidar com essas várias coisas, caso contrário nós vamos construir sistemas de vida ou sistemas de pensamento que não conseguem dar conta da própria experiência do cotidiano. Então nós progressivamente podemos chegar a desenvolver uma noção de isolamento, como se o isolamento fosse algo possível, ou uma noção de uma grande diferença entre o mundo espiritual e o mundo que vamos chamar de mundo real. Na visão budista o mundo como nós conhecemos é o samsara, não é o mundo real. Se nós não conseguimos refletir sobre o mundo onde estamos vivendo contemporanemente com base na abordagem budista, vamos ter uma sensação de separação, realmente uma dicotomia entre o mundo espiritual e o mundo onde nós somos obrigados a nos movimentar.

veja um trecho do vídeo

Na visão budista não há propriamente uma grande diferença entre os tempos de hoje e os tempos de antigamente. Essencialmente, o que ocorre é que o samsara mudou um pouquinho, mas ele continua sendo samsara. A roda da vida é a mesma, ou seja, nós podemos encontrar outros exemplos para as questões da roda da vida, mas essenciamente a roda da vida é a mesma coisa.

Nós temos dukka, nós temos o sofrimento, temos as causas do sofrimento na forma dos doze elos da originação interdependente, temos as nossas construções artificiais, as nossas identidades artificialmente construídas. Elas podem apresentar hoje características diferentes das identidades do tempo do Buda, mas essencialmente elas têm a mesma origem, nos doze elos, e o mesmo tipo de estrutura. Quando nós falamos também na terceira nobre verdade, sendo que a primeira é o sofrimento, dukka, a segunda são as causas do sofrimento que são bem explicadas pela roda da vida e pelos doze elos da originação interdependente e a terceira é o fato de que o Buda nos diz que as causas do sofrimento, sendo artificiais, nos permitem atingir a iluminação. Então este tema, de que a liberação é possível continua vigente como sempre porque as causas de nossas dificuldades são todas causas artificialmente construídas então podemos superar estas artificialidades e atingir a liberação. O Buda também fala sobre o nobre caminho de oito passos e este caminho continua perfeito para nós o utilizarmos dentro dos vários exemplos que estamos vivendo hoje nestes tempos diferente. Assim, os ensinamentos do Buda continuam valendo, continuam igualmente úteis, a questão é que nós precisamos de um esforço adicional para podermos trazer nossa contribuição budista para a solução dos problemas que a própria humanidade sofre hoje.