Home Lama Karma Tartchin Introdução ao Budismo

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Introdução ao Budismo PDF Imprimir E-mail
1 DVDs - 1h 54min.
R$ 35,00

O Budismo já foi descrito como uma religião muito pragmática. Ela não se perde em especulações metafísicas sobre as causas originárias; não possui uma teologia, não promove adoração de uma deidade ou deificação do Buda. O Budismo encara de forma direta nossa condição humana. Tudo que o Buda ensinou foi baseado em sua própria observação da forma como as coisas são. Tudo que ele ensinou pode ser confirmado pela observação da forma como as coisas são.

Se olharmos diretamente para nossa vida, veremos que ela é marcada pela dor e frustração. Isso se dá porque tentamos estabelecer nosso relacionamento com o mundo externo solidificando nossas experiências de alguma maneira concreta. Por exemplo, podemos jantar com alguém que admiramos muito, tudo corre da melhor maneira possível, e quando voltamos para casa começamos a fantasiar sobre todas as coisas que poderemos fazer com nosso novo amigo, lugares onde poderemos ir com ele etc. Começamos o processo de tentar solidificar nosso relacionamento. Talvez na próxima vez que encontrarmos nosso amigo ele esteja com dor de cabeça e não seja tão amistoso conosco, com isso nos sentiremos magoados, e lamentaremos nossos planos frustrados. O problema é que o mundo exterior está em constante mudança, tudo é impermanente e é impossível manter uma relação permanente com absolutamente qualquer coisa.

 

 

Se examinarmos atentamente e com honestidade noção de impermanência, veremos que ela permeia tudo, todas as coisas são marcadas pela impermanência. Podemos acreditar em um princípio eterno de consciência, ou um eu superior, mas se examinarmos nossa consciência vemos que ela é composta por eventos e processos mentais temporários. Vemos que nosso "eu superior" é especulativo, na melhor das hipóteses e imaginário. Inventamos essa idéia para nos sentirmos mais seguros, para cimentar nosso relacionamento, novamente. Por isso nos sentimos inseguros e ansiosos, mesmo nos melhores momentos. Somente quando abandonarmos completamente o apego é que sentiremos o alívio desse mal estar.

Estes três elementos: insatisfatoriedade, impermanência e ausência de ego são conhecidas como as três marcas da existência.

 

As quatro nobres verdades

O primeiro ensinamento que o Buda deu após sua iluminação foi sobre as quatro nobres verdades. A primeira nobre verdade é que a vida é cheia de frustração e sofrimento. De fato, se formos honestos conosco mesmo, reconheceremos que ela é às vezes completamente miserável. As coisas podem estar indo bem no momento, mas se olharmos à nossa volta veremos outras pessoas nas condições mais horrorosas, crianças famintas, terrrorismo, ódio, guerras, intolerância, pessoas sendo torturadas e com isso nos sentiremos constrangidos ao pensarmos sobre a situação mundial. Nos próprios algum dia ficaremos velhos e doentes, e eventualmente morreremos. Não importa o que façamos para evitar isso, algum dia vamos morrer. Mesmo se tentarmos não pensar nisso, seremos constantemente lembrados dessa verdade.

A segunda nobre verdade é que o sofrimento tem uma causa. Sofremos porque temos que lutar constantemente para sobreviver. Estamos constantemente tentando assegurar nossa existência. Podemos ser muito humildes e conscientes de nossas limitações, mas mesmo isso será uma tentativa de nos definir de alguma forma. Quanto mais nos esforçamos para  estabelecer nossa identidade e nossos relacionamentos, mas dolorosa se torna nossa experiência.

A terceira nobre verdade é que a causa do sofrimento pode ser eliminada. Nossa luta pela sobrevivência, nosso esforço para estabelecer nossas personalidades e solidificar nossos relacionamentos é desnecessário. Nós e o mundo podemos conviver confortavelmente sem essas espectativas desnecessárias. Podemos manter um relacionamento mais simples com nosso mundo, nossa família e amigos. POdemos conseguir isso abandonando nossas espectativas sobre como achamos que as coisas devem ser.

A quarta nobre verdade é o caminho para eliminar a causa do sofrimento. O elemento essencial desse caminho é a meditação. Meditação é prática da atenção e consciência, em sânscrito shamata e vipashyana. Praticamos a consciência de todas as coisas com as quais nos torturamos. Ficamos conscientes através de abandonar nossas espectativas sobre a forma como achamos que as coisas devem ser, e com nossa atenção começamos a desenvolver uma consciência de como as coisas realmente são. Começamos a desenvolver a compreensão de que as coisas são, na verdade, muito simples, que podemos lidar com nós mesmos e com nossos relacionamentos muito bem logo que deixamos de ser tão complicados e manipulativos.

O caminho de oito passos

o caminho para a liberação dos estados miseráveis de existência, como ensinamdo pelo Buda, tem oito passos e é conhecido como o caminho óctuplo. O primeiro passo é chamado de visão correta - a maneira correta de encarar o mundo. Visão incorreta acontece quando impomos nossas espectativas sobre as coisas; espectativas sobre como esperamos que elas sejam ou medo sobre como elas podem se tornar. A visão correta ocorre quando vemos as coisas simplesmente, como elas são. É uma atitude aberta e pacífica. Abandonamos a esperança e o medo e nos alegramos em um enfoque simples e direto em relação à vida.

O segundo passo do caminho é chamado intenção correta. Ela tem origem na visão correta. Se formos capazes de abandonar nossas espectativas, nossas esperanças e medos, não precisaremos mais ser manipulativos. Não será mais necessário tentar forçar as situações para que se enquadrem em nossas noções preconcebidas sobre como elas devem ser. Lidamos com aquilo que é. Nossas intenções são puras.

O terceiro passo do caminho é a fala correta. Como nossas intenções são puras, não precisamos mais nos sentir embaraçados com nossa fala. Como não estamos tentando manipular as pessoas, não temos que planejar o que dizemos nem precisamos tentar demonstrar uma auto confiança artificial para estabelecer nossas posições. Dizemos aquilo que precisa ser dito, muito simplesmente e de uma forma sincera.

O quarto passo do caminho, a ética correta, envolve uma espécie de renúncia. Precisamos abandonar nossas tendências a complicar as coisas. Praticamos a simplicidade. Temos um relacionamento direto com nossas refeições, nosso trabalho, nossa casa e nossa família. Abandonamos todas as complicações frívolas e desnecessárias que normalmente embotam nossos relacionamentos.

O modo de vida correto é o quinto passo do caminho. É natural que precisemos ganhar nosso sustento. Muitas vezes, muitos de nós não gostam particularmente de seus trabalhos. Não podemos esperar para voltar para casa do trabalho e lamentamos o templo que perdemos com nosso trabalho e em que deixamos de desfrutar de uma boa vida. Talvez desejemos ter um trabalho mais interessante. Não achamos que nosso trabalho em um escritório ou fábrica esteja de acordo com a imagem que gostaríamos de projetar. A verdade é que deveríamos nos alegrar com nosso trabalho, seja ele qual for. Devemos manter um relacionamento simples com ele. Precisamos desempenhá-lo corretamente, com atenção aos detalhes.

O sexto passo do caminho é o esforço correto. O esforço incorreto é luta. Muitas vezes encaramos uma disciplina espiritual com se precisássemos derrotar nosso lado mau e desenvolver nosso lado bom. Ficamos engajados em um combate conosco mesmos e tentamos suprimir até as menores tendências negativas. O esforço correto não envolve nenhum tipo de luta. Quando vemos as coisas como elas são, podemos trabalhar com elas, suavemente e sem nenhum tipo de agressão.

A atenção correta, o sétimo passo, envolve precisão e clareza. Ficamos conscientes dos menores detalhes de nossa experiência. Ficamos atentos à forma como falamos, à forma como fazemos nossos trabalhos, nossa postura, nossa atitude em relação a nossos amigos e nossa família, a cada detalhe.

A concentração, ou absorção correta é o oitavo passo do caminho. Normalmente estamos absortos em nossa distração. Nossas mentes ficam completamente cativadas por todo tipo de distrações e especulações. A concentração correta significa que estamos completamente absortos no momento presente, nas coisas como elas são. Isso só pode acontecer se tivermos algum tipo de disciplina, como a meditação sentada. Podemos dizer que sem a disciplina da meditação sentada não podemos passar pelo oitavo passo do caminho de forma nenhuma. A meditação corta através de nossa distração. Ela nos oferece um espaço ou alívio de nossa preocupação com nós mesmos.

O objetivo

A maioria das pessoas ouviu falar de nirvana. Ele é entendido como uma espécie de versão oriental do paraíso. Na verdade, Nirvana quer dizer simplesmente cessação. É a cessação das paixões, agressão e ignorância, a cessação da luta para provar para o mundo a nossa existência, para assim sobreviver. Não temos que lutar para sobreviver. Já sobrevivemos. Sobrevivemos agora, a luta foi apenas uma complicação adicional que agregamos a nossas vidas por termos perdido a confiança na forma como as coisas são. Não precisamos mais manipular as coisas como elas são para tentar fazer que se tornem como gostaríamos que fossem.

 

Comentarios  

 
0 #1 2011-10-04 18:25
eu acho o budismo um excelente passa tempo nas suas leituras.
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